Entrevista

Entrevista com a reitora, professora doutora Márcia Perales Mendes Silva

1. COMO SURGIU A IDÉIA DE INSTALAÇÃO DO FÓRUM DE REITORES?

A emergência do I Fórum IFES/Norte foi precedida da intenção dos reitores da região de realizar um seminário com todas as IFES da Região Norte para buscar, em um primeiro momento, parcerias, sobretudo na área da pesquisa e pós-graduação, em prol do avanço de nossas Universidades e, conseqüentemente, de nossa região. Esta idéia preliminar, esboçada em reunião na sede da CAPES, está sendo e continuará a ser aprimorada. Em decorrência, emergiu a idéia de organização de um espaço de discussão e decisão permanentes que abarcasse outras temáticas de forma sistemática, consistente e conseqüente, cujos desdobramentos devessem, por princípio, fortalecer os interesses da Região Norte. Daí a criação do I Fórum de Reitores das Instituições de Ensino Superior da Região Norte.

2. QUAIS OS PRINCIPAIS OBJETIVOS E DE QUE MODO OS OBJETIVOS SERÃO POSTOS EM PRÁTICA?

O Fórum IFES/Norte deve, primeiramente, ser concebido como uma forma de organização oriunda de interesses e idéias coletivas. Além de envolver todas as IFES da Região Norte como membros, deve estar sempre aberto ao diálogo, à troca, às parcerias e cooperações com importantes  instituições, muitas, inclusive, com as quais já têm parcerias consolidadas. Quando os reitores das IFES da Região Norte decidiram se organizar para a criação do Fórum, uma das questões norteadoras ancorou-se na intenção de fortalecer as potencialidades e superar as fragilidades identificadas, por meio de ações conjuntas. Entretanto, deve ser destacado que a centralidade em torno da criação do Fórum foi, de fato, a proposição coletiva de defesa dos interesses da Região Norte. Um considerável e necessário desafio!

3. QUAL A IMPORTÂNCIA DO FÓRUM NO CONTEXTO REGIONAL E NACIONAL?

A Região Norte do Brasil apresenta um perfil convergente em relação a um conjunto de questões. Muitas vezes a ausência de interlocução sistemática e de conhecimento mais aprofundado entre as IFES faz com que muitas situações sejam desconhecidas e pareçam únicas, quando são comuns. Considera-se também que há situações que, de fato, são particulares e pontuais para algumas IFES, entretanto, ao se identificar tais particularidades, pode-se identificar que uma IFES já vivenciou situação semelhante e construiu caminhos viáveis para superá-los, o que estimula o apoio por meio de novas parcerias. Neste sentido, a atuação do Fórum IFES/Norte deve ser direcionado para fortalecer as IFES e a própria região, não apenas regionalmente, mas  no contexto nacional, afinal a Região Norte tem um papel crucial para o desenvolvimento do Brasil.
 
4. DE QUE MANEIRA SERÁ FEITA A ARTICULAÇÃO ENTRE OS REITORES PARA A DEFESA DOS INTERESSES DA REGIÃO NORTE?

O Fórum IFES/Norte será constituído por todas as IFES da região, incluindo-se aí os       Centros Federais de Educação e Tecnologia. As ações implementadas serão fruto dos debates e decisões do Fórum que nasce com o firme propósito de ser um espaço democrático, coletivo e propositivo. Assim, as demandas e estratégias a serem adotadas em direção aos diferentes setores e instâncias da sociedade não terão o peso individual de uma ou outra IFES, mas do seu conjunto, o que, sem dúvida, agrega valor político para as soluções buscadas. Como estamos em processo de construção do regimento do Fórum, iremos amadurecer um conjunto de questões, inclusive aquelas que definirão a periodicidade de realização do Fórum, a seleção dos temas dos próximos Fóruns, a sua estrutura organizacional, IFES que irão sediá-lo, a pauta de prioridades etc. A realização do I Fórum permitirá avançar em direção à definição de muitas dessas questões. É importante lembrar que se trata de um novo empreendimento que deverá consolidar-se  no processo da construção coletiva.

5. O I FÓRUM DISCUTIRÁ A PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PARA A REGIÃO NORTE. POR QUE A ESCOLHA DESSE TEMA?

Quando se  avançou na proposta de criação do Fórum, a pauta de nossa reunião na CAPES era exatamente a Pesquisa e a Pós-Graduação na nossa Região. Naquele momento, avaliávamos de que forma as IFES poderiam atuar para que os avanços nesta área fossem intensificados. Temos como panorama atual uma política nacional de pesquisa, inovação e desenvolvimento que reconhece a necessidade de tratar assimetricamente situações que não são iguais, o que é procedente, justo e extremamente positivo. Entretanto, precisamos aproveitar este direcionamento para construir estratégias comuns que possam atender às demandas comuns/diferenciadas das IFES, em prol da capacitação de recursos humanos e da produção de novos conhecimentos. Daí o tema deste primeiro Fórum ser inteiramente direcionado à pesquisa e a pós-graduação, com uma programação que permita a todas as IFES apresentar o estado da arte sobre o tema, as suas potencialidades e fragilidades, áreas estratégicas e possibilidades de cooperação. Mapeado todo este perfil, teremos condição de identificar de que forma poderemos avançar, inclusive recorrendo às estratégias em rede.

6. QUAL A IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA DA CAPES NO FÓRUM?

O convite feito ao Professor Doutor Emídio Cantídio, Diretor de Programas e Bolsas da CAPES, foi aceito de imediato, a quem agradecemos. A sua presença no evento expressa, de forma inequívoca, a política da instituição em apoiar as ações de capacitação de recursos humanos, tendo como referência a assertiva de que é necessário tratar de forma diferente o que não é igual, como é o caso da Região Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Mas também é importante mencionar a importante forma decisiva a capacitação de nossos recursos humanos e investindo na produção do conhecimento científico como Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), Fundação Centro de Análise de Pesquisa e Inovação Tecnológica (FUCAPI), Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (BASA), SEBRAE, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Manaus Energia, Universidade Estadual do Amazonas (UEA), FIOCRUZ, EMBRAPA., dentre muitas outras, também muito importantes. Acrescento, ainda, que a presença de todas as instituições, públicas e privadas, é de extrema relevância, pois o Fórum não deve se fechar em si mesmo, mas dialogar de forma ampla, ágil e estabelecer parcerias profícuas com as diferentes instituições da região e do país.

 
7. QUE RESULTADOS ESTÃO SENDO ESPERADOS PARA ESSE 1º FÓRUM?

Nossa expectativa primeira é a de institucionalizar com competência este importante lócus de fortalecimento dos interesses da Região Norte. Acredita-se também que o Fórum viabilizará um conhecimento mais aprofundado da situação da pesquisa e da pós-graduação das IFES/Norte,  a partir de suas próprias percepções. Tem-se convicção de que, ao se construir o perfil do status quo atual da pesquisa e pós da Região Norte, será possível às IFES uma “apropriação” ampliada e coletiva das potencialidades e fragilidades atuais, das áreas estratégicas delimitadas e das possibilidades de cooperação, o que permitirá o delineamento inicial de encaminhamentos viáveis para os avanços almejados. Ao final deste primeiro Fórum, deverá ser apreciado e aprovado o documento, intitulado provisoriamente de Carta de Manaus, contendo as diretrizes que embasaram/embasarão a concepção, os princípios, o funcionamento e o direcionamento do Fórum de Reitores IFES/Norte.

 

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